Como boa geminiana, sou uma pessoa falante.
E como tudo tem dois lados, ser falante tem o lado bom e o ruim.
O lado ruim é quando confudem falante com tagarela. Tagarela é aquela pessoa que fala demais, fala sobre tudo e nada ao mesmo tempo, "fala pelos cotovelos".
O lado bom é que ser falante contribui muito para ser comunicativo. Comunicativa é aquela pessoa que sabe o que falar, sabe como falar e também sabe ouvir.
Como boa gemininana, gosto de estar rodeada de pessoas.
E como tudo tem seus dois lados...
O lado ruim é que existem as pessoas desagradáveis.
O lado bom é que existem pessoas queridas, interessantes, boas. Pessoas prá trocar idéias, pra te ensinar algo novo, prá rir junto, prá discutir, prá compartilhar, prá te ouvir, prá te fazer companhia, prá te ajudar, te corrigir.
Como boa geminiana adoro novidade, mudança, desafio. E a ideia de montar meu ateliê sempre me animou muito. Como tudo tem dois lados...
O lado ruim era não ter mais a turma do trabalho, o contato com os clientes, as reuniões. Ficar sozinha o tempo todo me assustava. Com quem eu ia conversar??? Quem ia tirar minhas dúvidas??? Prá quem eu ia mostrar meus projetos??? quem, quem quem ???
O lado bom é que no ateliê aprendi que um tempo em silêncio torna as conversas mais proveitosas. Que ficar sozinha não quer dizer ficar solitária. Aprendi a fazer medidas em polegadas e que existem coisas imensuráveis. Aprendi a calcular valores e que tem coisas que não tem preço. Percebi que a vida é como um bordado. Aprendi que mesmo os bordados mais complexos são feitos ponto a ponto. E por mais delicado que seja, a linha deve ser forte. Ah! E que devemos cuidar do avesso, mesmo que ninguém vai ver.
A vida é assim, tem dois lados...
mas eles não precisam ser do mesmo tamanho.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Letra bonita.
Sempre gostei de escrever. Escrevia muito na época escolar... gostava de fazer redação, de copiar matérias. Em casa tinha cadernos prá escrever "coisas" minhas... segredos, receitas, poesias. Escrevia cartas prá enviar pelo correio.
Mesmo gostando muito de escrever, nunca tive uma letra bonita. Sempre foi aquela coisa cursiva, legível e só. Ficava doida prá ter uma letra como a minha prima Nane, que é um capricho, parece caligrafia. Ou ser como a minha tia Jaque, que tem vários tipos de letras. Ou ainda ter a letra da minha amiga Erika, que é a letra mais redondinha do mundo. E prá quem diz que homem tem letra feia, a do meu marido é mais bonita que a minha.
Com o tempo, o gosto pela escrita continuou, mas a letra piorou. Prefiro pensar que a culpa é do teclado... não minha.
Há pouco tempo conheci a Dona Juraci. Uma senhorinha muito simpática que borda memórias, desenhos, poesias. Fiquei encantada com ela e com suas coisas. Conversamos muito, ela me ensinou a fazer ponto haste, ponto atráz. E foi ela quem me disse: " não liga pra sua letra não, o que importa é o sentimento que você vai passar com o que escreveu".
Ontem tomei coragem e fiz meu primeiro bordadinho.
Fiquei muito feliz com minha letra.
Mesmo gostando muito de escrever, nunca tive uma letra bonita. Sempre foi aquela coisa cursiva, legível e só. Ficava doida prá ter uma letra como a minha prima Nane, que é um capricho, parece caligrafia. Ou ser como a minha tia Jaque, que tem vários tipos de letras. Ou ainda ter a letra da minha amiga Erika, que é a letra mais redondinha do mundo. E prá quem diz que homem tem letra feia, a do meu marido é mais bonita que a minha.
Com o tempo, o gosto pela escrita continuou, mas a letra piorou. Prefiro pensar que a culpa é do teclado... não minha.
Há pouco tempo conheci a Dona Juraci. Uma senhorinha muito simpática que borda memórias, desenhos, poesias. Fiquei encantada com ela e com suas coisas. Conversamos muito, ela me ensinou a fazer ponto haste, ponto atráz. E foi ela quem me disse: " não liga pra sua letra não, o que importa é o sentimento que você vai passar com o que escreveu".
Ontem tomei coragem e fiz meu primeiro bordadinho.
Fiquei muito feliz com minha letra.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Um anjo. Uma saudade. O começo.
Procurando uma coisa, encontramos outras. É sempre assim. E foi nas fotos, onde eu revivia antigas lembranças, onde encontrei a respota que eu tanto procurava.
A lembrança do tanto que eu ficava feliz quando ia na casa de tia Maria de Jesus pra ela fazer minha coroa de anjo. Ela com as mãos miudinhas,quase do tamanho das minhas, enrolava aquelas florzinhas artificiais no aro de metal... amarrava umas fitinhas... media na minha cabeça. Aquele brocal que ela salpicava de leve parecia mágica. Eu achava encantador. Enquanto ela cuidava delicadamente dos detalhes eu pensava que queria ser como ela!!
Só de lembrar sinto o cheiro da casa dela, que era uma mistura de naftalina, talco e talvez um pouco de fumaça do fogão, me emociono. Tenho certeza que foi esse anjo quem palntou a sementinha do artesanato no meu coração.
_______________
Quando descobri que estava grávida de uma menina, um dos primeiros pensamentos que tive foi: " Quando ela participar de coroação eu vou fazer a coroinha dela".
A lembrança do tanto que eu ficava feliz quando ia na casa de tia Maria de Jesus pra ela fazer minha coroa de anjo. Ela com as mãos miudinhas,quase do tamanho das minhas, enrolava aquelas florzinhas artificiais no aro de metal... amarrava umas fitinhas... media na minha cabeça. Aquele brocal que ela salpicava de leve parecia mágica. Eu achava encantador. Enquanto ela cuidava delicadamente dos detalhes eu pensava que queria ser como ela!!
Só de lembrar sinto o cheiro da casa dela, que era uma mistura de naftalina, talco e talvez um pouco de fumaça do fogão, me emociono. Tenho certeza que foi esse anjo quem palntou a sementinha do artesanato no meu coração.
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Quando descobri que estava grávida de uma menina, um dos primeiros pensamentos que tive foi: " Quando ela participar de coroação eu vou fazer a coroinha dela".
terça-feira, 25 de maio de 2010
Saudade.
Na minha procura por algo que marcasse o começo da minha vida artesã, me deparei com muitas coisas boas. Principalmente através de fotos, pude reviver muitas histórias e momentos especiais de minha vida.
Na minha infância e juventude tínhamos uma câmera bem simples, analógica. Nem sempre as 24 ou 36 poses e a gente tinha que esperar alguns dias prá poder revelar. E só então, quando as fotos eram reveladas, era hora de ver como ficaram. Nem sempre todas ficavam boas. Acontecia inclusive do filme queimar. Era sempre uma surpresa e uma expectativa... Esse tipo de coisa não precisamos viver com as fotos de hoje. Não consigo por excemplo imaginar, nos dias de hoje, um passeio ou uma festinha com "apenas" 36 fotos.
Falando em foto e em saudade... lembrei de Zé Branco. Ele era vizinho da minha avó e dono da Foto Cleide. Era um lugar cheio de fotos 3 X 4 expostas na parede, um balcão pequeno de vidro e no fundo tinha o labratório. Certamente tinha mais coisas, mas isso é o que eu mais me recordo. Um dia, nas férias, eu estava brincando com meus primos e o Toni tirou uma foto nossa. E o melhor de tudo foi que ele nos chamou pra ver como revelava a foto. Lembro direitinho dele perguntando prá gente: "vocês não tem medo de escuro né?". E era escuro mesmo. Mas aí Toni ligou uma luz meio roxa-avermelhada, mergulhou o filme numa bandeja branca cheinha de "água para foto", esperou um pouco. Não me lembro de todo o precesso, mas lembro do nosso silencio... a imagem aparecendo devagar... com as cores invertidas... e quando a película ia secando a imagem ia parecendo direitinho no papel... E ele fez duas cópias. Uma prá mim e uma para os meus primos. E o melhor, não tivemos que esperar tanto prá ver como a foto ficou. Esse dia marcou minha vida. Acho que é por isso que adoro fotografias. Gosto de fotografar, de organizar as fotos, de ver.Gosto das minhas e das feitas por outras pessoas. Tem tanta foto linda. Não gosto muito de sair em fotos.
Hoje em dia eu preciso dar um jeito de "revelar" algumas das minhas fotos. Com a máquina digital, nem sei quantas fotos tenho. Da Beatriz então... Sinto falta de folhear os álbuns. De colocar as datas manualmente. Não quero perder a magia das histórias que elas contam. Acho que vou começar a selecionar "algumas 36 fotos" e mandar revelar como antigamente. Com a vantagem de agora poder escolher as melhores.
Esta é a foto que o Toni tirou:
(da esquerda para a direita - Eu, Fabricia e Fábio)
Na minha infância e juventude tínhamos uma câmera bem simples, analógica. Nem sempre as 24 ou 36 poses e a gente tinha que esperar alguns dias prá poder revelar. E só então, quando as fotos eram reveladas, era hora de ver como ficaram. Nem sempre todas ficavam boas. Acontecia inclusive do filme queimar. Era sempre uma surpresa e uma expectativa... Esse tipo de coisa não precisamos viver com as fotos de hoje. Não consigo por excemplo imaginar, nos dias de hoje, um passeio ou uma festinha com "apenas" 36 fotos.
Falando em foto e em saudade... lembrei de Zé Branco. Ele era vizinho da minha avó e dono da Foto Cleide. Era um lugar cheio de fotos 3 X 4 expostas na parede, um balcão pequeno de vidro e no fundo tinha o labratório. Certamente tinha mais coisas, mas isso é o que eu mais me recordo. Um dia, nas férias, eu estava brincando com meus primos e o Toni tirou uma foto nossa. E o melhor de tudo foi que ele nos chamou pra ver como revelava a foto. Lembro direitinho dele perguntando prá gente: "vocês não tem medo de escuro né?". E era escuro mesmo. Mas aí Toni ligou uma luz meio roxa-avermelhada, mergulhou o filme numa bandeja branca cheinha de "água para foto", esperou um pouco. Não me lembro de todo o precesso, mas lembro do nosso silencio... a imagem aparecendo devagar... com as cores invertidas... e quando a película ia secando a imagem ia parecendo direitinho no papel... E ele fez duas cópias. Uma prá mim e uma para os meus primos. E o melhor, não tivemos que esperar tanto prá ver como a foto ficou. Esse dia marcou minha vida. Acho que é por isso que adoro fotografias. Gosto de fotografar, de organizar as fotos, de ver.Gosto das minhas e das feitas por outras pessoas. Tem tanta foto linda. Não gosto muito de sair em fotos.
Hoje em dia eu preciso dar um jeito de "revelar" algumas das minhas fotos. Com a máquina digital, nem sei quantas fotos tenho. Da Beatriz então... Sinto falta de folhear os álbuns. De colocar as datas manualmente. Não quero perder a magia das histórias que elas contam. Acho que vou começar a selecionar "algumas 36 fotos" e mandar revelar como antigamente. Com a vantagem de agora poder escolher as melhores.
Esta é a foto que o Toni tirou:
(da esquerda para a direita - Eu, Fabricia e Fábio)
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
A busca do começo.
Quando eu pensei em escrever sobre o começo, pensei em contar um pouco sobre como comecei a trabalhar com artesanato. Aí fiquei um tempão pensando, tentando lembrar qual foi minha primeira peça, porque tinha feito, como eu tinha feito. Iniciei aí um processo de pesquisa, porque eu simplesmente não lembrava. Todos os dias, a toda hora, eu ficava tentando lembrar. Perguntei pra minha mãe se ela tinha alguma coisa guardada. Ela tem várias coisas feitas por mim, mas não era nada daquilo
"E agora, como eu vou fazer prá escrever sobre o começo? Vou ter que desistir desse assunto e arrumar outra coisa prá postar no blog. Ah, e que importância tem? quem vai querer saber isso? "
Nesse meio tempo, eu já tinha deixado o povo lá de casa doido prá achar alguma coisa. Meu pai se mobilizou e resolveu ajudar abrindo as caixas e pastas onde ele costuma organizar convites, cartões, participações, recortes, etc. Mas nada, acho que algumas coisas ficaram para trás durante a mudança, ou então foram mesmo para o lixo.
"Melhor mesmo esquecer esse assunto".
No meio daquelas caixas e pastas abertas, mais do que um objeto específico, encontramos um monte de outras coisas. Lembranças, recordações, histórias e mais histórias. E já que estavamos nessa viagem no tempo, deu a maior vontade de reviver também as fotos. Não temos muitas, mas o suficiente prá viajar longe. E eu amo ouvir a narração das fotos. Pai fala uma coisa, mãe completa, conta mais um pouco. Algumas coisas eu até lembro, outras eu nem tava lá. Ah, tão bom.... bateu uma saudade !!!
"Oh, meu problema está resolvido. Vou escrever sobre saudade".
"E agora, como eu vou fazer prá escrever sobre o começo? Vou ter que desistir desse assunto e arrumar outra coisa prá postar no blog. Ah, e que importância tem? quem vai querer saber isso? "
Nesse meio tempo, eu já tinha deixado o povo lá de casa doido prá achar alguma coisa. Meu pai se mobilizou e resolveu ajudar abrindo as caixas e pastas onde ele costuma organizar convites, cartões, participações, recortes, etc. Mas nada, acho que algumas coisas ficaram para trás durante a mudança, ou então foram mesmo para o lixo.
"Melhor mesmo esquecer esse assunto".
No meio daquelas caixas e pastas abertas, mais do que um objeto específico, encontramos um monte de outras coisas. Lembranças, recordações, histórias e mais histórias. E já que estavamos nessa viagem no tempo, deu a maior vontade de reviver também as fotos. Não temos muitas, mas o suficiente prá viajar longe. E eu amo ouvir a narração das fotos. Pai fala uma coisa, mãe completa, conta mais um pouco. Algumas coisas eu até lembro, outras eu nem tava lá. Ah, tão bom.... bateu uma saudade !!!
"Oh, meu problema está resolvido. Vou escrever sobre saudade".
segunda-feira, 2 de março de 2009
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