sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Cheiro de Flor.

Quase meia hora esperando um ônibus é tempo suficiente para deixar meu dia cinza e sem graça.
Além da "interminável" espera, o barulho e a poeira só pioravam a situação.
Quem está em Belo Horizonte e passa pela Savassi sabe do que estou falando.
Eu, quase desisitindo de ficar lá, mas sem ter para onde ir, pensava em mil coisas, pricipalmente no tempo que eu estava perdendo ali, na carteira de motorista que eu não tirei, nas encomendas para terminar, no almoço que não ia ter.
Antes que meus pensamentos virassem raiva, fui "interrompida" por uma senhora baixiiiiinha, com a mão friiiiia!!! que veio puxando assunto me dizendo como as flores artificiais da loja ao lado eram "bem feitas e pareciam naturais".
Naquela altura da espera pensei que só se fosse chocolate eu teria reparado.
Ela me olhava de um jeito sorridente que eu me senti na obrigação de sorrir de volta e concordar com ela, mesmo não achando graça nenhuma nas flores.
O ônibus dela passou naquele minuto e não era o mesmo que o meu.
Acho que pela estatura e gosto pelas flores artificiais, aquela senhora me fez lembrar muito da minha tia Maria de Jesus (já falei dela aqui) e logo meu pensamento voou lá para os tempos de interior.
Lá, dava para ir a pé para todo lugar, não tinha correria, nem engarrafamento, o barulho era outro.
E num estalo me dei conta que estou aqui há exatamente o mesmo tempo que fiquei lá.
O tempo de infância lá foi bom, alegre, livre, lento.
O tempo aqui também tem sido bom e alegre, apesar de nem tão livre e nem tão lento.
Imaginei como seria se algumas "figuras" de lá mudassem prá cá.
Deu até para rir com meus pensamentos.
E como o assunto era flor, lembrei lá de casa, que sempre tinha flores naturais, colhidas por mamãe no nosso jardim ou no jardim da vizinha e deixavama a casa super perfumada.
E claro, não podiam faltar as samambaias (um amigo diz que samambaia é planta vintage, hehehe).
Já as flores artificiais, tanto lá em casa quanto em todos os outros lugares, ficavam (curiosamente) reservadas para os santos.
Foi tão bom lembrar daquele tempo bom que cheirava doce de leite quente, de biscoito de polvilho assando, chá de funcho, queijo derretido, amendoim torrado, fumaça de fogão à lenha, terra molhada de chuva.
Ai que delícia esse cheiro de saudade que vem das flores artificias.

E como eu já estava atrasada mesmo, me permiti entrar naquela loja e trazer um raminho para o meu São José.

(tenho fotos prá mostrar)

2 comentários:

  1. Estef, adoro teu jeito de escrever. Dá pra viajar junto com tua história!!!
    bj, querida irvrilha

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  2. Quem sabe não foi um "anjo" que passou ao teu lado prá te deixar mais feliz, hein?!
    Beijocas

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